segunda-feira, 17 de março de 2008

O tempo

Essa é mais uma das letras que musicalizam nossas vidas profanas num mundo inconstante de erros destinados à acertos que nunca saberemos se estão corretos. Puro Devir.

O Velho E O Moço

Los Hermanos

Composição: Rodrigo Amarante

Deixo tudo assim.
Não me importo em ver a idade em mim,
Ouço o que convém.
Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer que eu preciso sim
De todo o cuidado.

E se eu fosse o primeiro
A voltar pra mudar o que eu fiz.
Quem então agora eu seria?

Ahh tanto faz! E o que não foi não é,
Eu sei que ainda vou voltar... Mas, eu quem será?

Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim.
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo e eles têm razão.
Quando vem dizer que eu não sei medir,
nem tempo e nem medo.

E se eu for o primeiro
a prever e poder desistir do que for dar errado?

Ahhh, ora, se não sou eu quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão.

Ahhh, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser aceito a condição.

Vou levando assim.
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Perder-se em Peter


Ás 17 horas o amigo chegou conforme tinham combinado, nada ao acaso, mas pontualidade de virginiano. Sentaram-se na mesa da cozinha, aquela que inúmeras vezes já lhes serviriu para conversar, beber, discutir, fumar ou mesmo comer. Com a luminosidade de um final de tarde de sol de primavera, o amigo lhe falou...

É difícil decidir, não é mesmo Peter? É difícil lutar contra a facilidade de alegrias fáceis e sem compromisso... da facilidade de conhecer e ser conhecido... de olhar, ser olhado, provar, degustar
e desgostar. É fácil demais mergulhar na infinitude de liberdades e possibilidades que essa nossa cidade nos oferece. Então por que mesmo se privar de toda facilidade sem compromisso do acaso? Talvez escolher o contrário e se arriscar no medo do certo, que pode enjoar, desencorajar e ser como sempre foi não seja mesmo a melhor idéia caro amigo. Mas como todas as coisas dubiais, eis que suas escolhas podem lhe trazer novos ares, que nem por isso lhe permitam toda a liberdade e egos infláveis, mas que podem te levar para o que ainda não existiu. E o que não existe, Peter, pode ser bom, e sim... (dubial), pode ser ruim. Suas aflições não lhe permitem soltar as rédias e descobrir o que tem atrás das árvores; eis que por experiência imatura de um amigo, lhe asseguro a tentar. Caso contrário, o tempo passa, e você poderá, Peter, perder o caso, e passar a viver ao acaso. É difícil amar, mas é fácil tentar, caso queira, meu jovem.

Suspirou.

Levantou-se em sua sobriedade aparentemente fria, olhou para o horizonte, e com seu sorriso interior invisível à olhos normais, cantou em silêncio a música que naquele momento lhe veio a cabeça...

O que é que tu quer de mim?
Que voz é essa?
Que silencio é este?
Por que tu nao falas o que estas pensando?
Não quero estar recuando
O meu sentimento, a minha alegria
Eu sinto que você está chegando mas se recusa a aceitar ôô
Acho que estou te esperando
O que talvez você já saiba
Eh, você pode estar certa, talvez nao valha a pena dizer nada
Mas eu te espero mais perto
Estou morrendo e tenho medo de só pensar em você
Te encontra logo com a distância antes dela te dizer que já é tarde demais.
(Fernando Catatau)


Boa noite Peter, até a próxima.