domingo, 23 de março de 2014

O romantismo da vida

É. Eu sou mesmo romântico. Romântico no sentido alemão da palavra, da definição literária e estética, do que acredita mesmo num sentimento puro que nos torna maiores, melhores, gentis e sorridentes.

Trato bem as pessoas ao meu redor, mesmo que desconhecidas. Cumprimento com olhar calmo e sorriso leve as que me olham nos olhos de forma desarmada. Abro a porta para que passem na minha frente. Deixo que entrem primeiro no elevador. E sempre que cabe, digo: "-obrigado".

E não faço isso de graça não. Atuo dessa forma porque conheço a física. Sei que para cada ação existe uma reação de força igual e contrária. Então dessa forma, recebo da vida o bom trato. E se o recebo, tenho o dever de devolver. E assim se forma um campo de forças vibratório em mesma sintonia. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O descobrimento de cada manhã


Como eterno aprendiz do mundo e de sua vida, o que mais me encanta é descobrir o que é o amor de uma forma nunca antes imaginada por mim. Isso demonstra que não existem regras e que aquilo que acreditamos não é conclusivo. Explica também que as coisas estão em eterna transformação e que assim permaneço para ser surpreendido a cada manhã quando acordo e te desejo ao meu lado.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Alma gêmea não. Alma complementar.





"Ser amado de graça não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada."
Ivan Martins, Revista Época - Editora Globo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Laranja com casca


Se tem uma coisa que acontece com a gente
Quanto estamos habitando nosso coração
É achar graça em quase tudo que vemos

Reparamos em cada particularidade do outro
E nomeamos como seu dono aquele que a cometeu
Como se ninguém mais no mundo pudesse fazer o mesmo

Passa então a ser aquilo
Sinônimo da pessoa amada
E sempre que vemos por aí o mesmo
De alguma forma estamos junto do nosso amor

Eu aprendi que tem gente
Que descasca laranja com o dedo
Como se fosse uma mexirica
Mas isso até agora eu não vi por aí

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O mar de hoje


Pelo mar eu te mando o que sinto
Pelo mar eu me vejo ao seu lado
Comigo mesmo passo horas conversando
Com você passo meus dias mais lindos
Mesmo que pelo mar

quinta-feira, 5 de maio de 2011

1 + 1

Eu posso fazer tudo o que quiser sozinho. Posso lutar, conquistar, fazer sorrir e alegrar. Mas sei que em alguns momentos, como antes de deitar, irei olhar as estrelas e sentir a falta de um amor. E sei que com esse amor, ainda assim posso fazer tudo o que quiser, porém, muito mais forte e melhor.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A casa de Paulina


Para quase tudo que olha, imagina e cria. A pequena casinha de madeira no alto da árvore com janelinhas sujas pelo tempo não permitem enxergar o seu interior por completo. O embassado dos vidrinhos revela silhuetas de objetos e amontoados de velharias. Dalí percebe-se então a pequena criança em seu vestidinho, tão inho quanto a casinha, a janelinha e as cortininhas, criando brinquedos, em seu universo tão particular. Restos de abajur, louças, tecidos e canivetes. Nada escapa, tudo vira seus brinquedos.


terça-feira, 1 de abril de 2008

Andre Lemos

Se a cultura de massa relega para debaixo do tapete aquilo que não é de interesse das
massas, criando um lixo artificial e esteticamente questionável, a cibercultura
contemporânea, pela mão livre e coletiva de seus usuários, levanta o tapete da história e
atira no ventilador as obras “menores”, dando visibilidade planetária ao que estaria para
sempre perdido pela imposição do hit.

http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/digital_trash.pdf

segunda-feira, 17 de março de 2008

O tempo

Essa é mais uma das letras que musicalizam nossas vidas profanas num mundo inconstante de erros destinados à acertos que nunca saberemos se estão corretos. Puro Devir.

O Velho E O Moço

Los Hermanos

Composição: Rodrigo Amarante

Deixo tudo assim.
Não me importo em ver a idade em mim,
Ouço o que convém.
Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer que eu preciso sim
De todo o cuidado.

E se eu fosse o primeiro
A voltar pra mudar o que eu fiz.
Quem então agora eu seria?

Ahh tanto faz! E o que não foi não é,
Eu sei que ainda vou voltar... Mas, eu quem será?

Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim.
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo e eles têm razão.
Quando vem dizer que eu não sei medir,
nem tempo e nem medo.

E se eu for o primeiro
a prever e poder desistir do que for dar errado?

Ahhh, ora, se não sou eu quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão.

Ahhh, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser aceito a condição.

Vou levando assim.
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Perder-se em Peter


Ás 17 horas o amigo chegou conforme tinham combinado, nada ao acaso, mas pontualidade de virginiano. Sentaram-se na mesa da cozinha, aquela que inúmeras vezes já lhes serviriu para conversar, beber, discutir, fumar ou mesmo comer. Com a luminosidade de um final de tarde de sol de primavera, o amigo lhe falou...

É difícil decidir, não é mesmo Peter? É difícil lutar contra a facilidade de alegrias fáceis e sem compromisso... da facilidade de conhecer e ser conhecido... de olhar, ser olhado, provar, degustar
e desgostar. É fácil demais mergulhar na infinitude de liberdades e possibilidades que essa nossa cidade nos oferece. Então por que mesmo se privar de toda facilidade sem compromisso do acaso? Talvez escolher o contrário e se arriscar no medo do certo, que pode enjoar, desencorajar e ser como sempre foi não seja mesmo a melhor idéia caro amigo. Mas como todas as coisas dubiais, eis que suas escolhas podem lhe trazer novos ares, que nem por isso lhe permitam toda a liberdade e egos infláveis, mas que podem te levar para o que ainda não existiu. E o que não existe, Peter, pode ser bom, e sim... (dubial), pode ser ruim. Suas aflições não lhe permitem soltar as rédias e descobrir o que tem atrás das árvores; eis que por experiência imatura de um amigo, lhe asseguro a tentar. Caso contrário, o tempo passa, e você poderá, Peter, perder o caso, e passar a viver ao acaso. É difícil amar, mas é fácil tentar, caso queira, meu jovem.

Suspirou.

Levantou-se em sua sobriedade aparentemente fria, olhou para o horizonte, e com seu sorriso interior invisível à olhos normais, cantou em silêncio a música que naquele momento lhe veio a cabeça...

O que é que tu quer de mim?
Que voz é essa?
Que silencio é este?
Por que tu nao falas o que estas pensando?
Não quero estar recuando
O meu sentimento, a minha alegria
Eu sinto que você está chegando mas se recusa a aceitar ôô
Acho que estou te esperando
O que talvez você já saiba
Eh, você pode estar certa, talvez nao valha a pena dizer nada
Mas eu te espero mais perto
Estou morrendo e tenho medo de só pensar em você
Te encontra logo com a distância antes dela te dizer que já é tarde demais.
(Fernando Catatau)


Boa noite Peter, até a próxima.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Profundezas de um funcionar sem fim


Tens os pensamentos dominados por sua presença.
Uma mistura de alegria, saudade, dor na barriga e
vontade de pensar em outra coisa. Questionamentos
que acabam por invadir qualquer que seja seus atos,
atitudes, companhias ou lugares. Desejo de querer
saber o que sentes, como se isso fosse possível.
Quando não conseguimos nem mesmo definir o que
pensamos, desejo de saber o que vens de outrém.
Fantasias. Tudo poderia ser mais simples, ou tudo
poderia ser como está, pois se está, assim deve
ser. Mas e se fosse? Questionamentos. Posse, vontade
de ter para si; de guardar dentro de si; de deixar
que habite as profundezas da parte mais particular
de nosso corpo, o coração. Quanta ousadia! Mas se
pelo menos a mim posso confessar o que realmente
sinto, sinto que te quero ao meu lado. Como a
dúvida de que se você também quer isso me faz mal.
Angústia. Ligo o som e viajo até você; ou viajo
para onde possa me ver livre de te desejar. Aliviar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nas ondas musicais de uma noite fecal


Eis que em meio ao agito da noite, preferiu se isolar em um canto menos fedido para tentar organizar seus pensamentos, ou para simplesmente tentar sair dali, nem que se fosse através de sua voz, em seu aparelho digital portátil interativo, onde preferiu se calar e digitar: "Nas paredes da ascensão vive o homem perdido em valores medíocres."

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Grafite, arte de galeria_monovolume.com.br

Foi publicada minha matéria sobre grafite no site Monovolume, site de arte, cultura e música. Nesta matéria eu proponho uma reflexão sobre a comercialização de nossos talentos.
Dá uma olhada: Ok, dou uma olhada então!

Monovolume says:

"Sejam bem-vindos ao monovolume!
Estamos de volta em alto e bom som trazendo informação e entretenimento na medida certa pra quem gosta de estar por dentro dos mais diversos assuntos relacionados à arte, música, comportamento e cultura alternativa. Além disso selecionamos algumas bandas nacionais e internacionais que estão agitando o myspace. É isso ai, aproveitem! :o)"

www.movolume.com.br

quinta-feira, 26 de julho de 2007

terça-feira, 24 de julho de 2007

Bartira!



Algum instante depois de mergulhar em sua introspecção libertadora de pensamentos inconstantes seguiu para os fundos da casa. Era lá onde ficava seu canto predileto, um local onde os detalhes denunciavam os últimos tempos que ainda trazem memórias. Sentou-se na poltrona xadrez, sem dúvida a mais confortável, a mais macia e a que mais segredos trazia em seus braços e almofadas. Era bem ali que confessava para si verdades incrédulas de uma vida quase que banal em meio a tantas outras. Se não fosse por seus relatos íntimos, com toda certeza, seria uma vida despercebida e pacata.
Acomodou-se, afundou-se no conforto e respirou o ar úmido e refrescante de uma tarde de sol, nem calor nem frio, meio tempo, sublime temperatura. Árvores, pássaros e até flores cinzas podiam ser vistas dali, afinal, era seu canto predileto.
Diante de tantos pensamentos desordenados, ordem! Alguma coisa lhe atingiu o estado mínimo de interesse fazendo-lhe esquecer de tudo e deixar vivo em sua mente somente aquele novo-velho pensamento de sempre. O que mesmo estou esperando? Quando devo partir? Quando tudo isso vai passar? Eu espero. Espero pelo que? Por quem? O que estou eu fazendo? Desordem! Não adianta, por mais que tente, seus pensamentos acabam se diluindo numa espécie de auto questionamento detentor de uma falsa verdade de si. Uma cobrança interior, uma pergunta sem resposta. Um suspiro de meia satisfação silenciou seu interior.
Levantou-se. Seu canto predileto se tornara por instantes um tanto quanto incômodo. Abriu a última gaveta para ver o bom e velho poema que há tempos lhe acompanhava e assolava sua vida: No meio do caminho. Ouviu algo como se alguém lhe chamasse.

Partira dali há instantes sem ao menos terminar. Com pressa, a pedra não deixou calar. Pensou dentro de si: até que ponto chegaria? Mesmo sem saber ao certo, partiria Bartira partira. Viver a vida? Quem sabe conseguiria...


No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade



terça-feira, 17 de julho de 2007

Poesia Elétrica do pós-humano

"Nas palavras de Tomáz Tadeu da Silva, podemos dizer que as reflexões emergentes das comunidades virtuais encontram "de um lado, a mecanização e a eletrificação do humano; de outro, a humanização e a subjetivação da máquina. É da combinação desses processo que nasce essa criatura pós-humana a que chamamos ciborgue" (Silva, apud Venturelli). Nessa perspectiva, comunidades virtuais são espaços de mundos em que os humanos podem se dissolver como unidade, tornando-se eletricidade e encontrando criaturas híbridas em sua passagem cósmica."

VENTURELLI, Suzete. Arte: espaço_tempo_imagem. Editora Universidade de Brasília, Brasília: 2004.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Tempo. Espera. Movimente-se!


Foi pela manhã úmida e ainda gelada de uma madrugada chuvosa que seus primeiros passos percorreram a mesma rua por onde há dois anos e sete meses ele caminha antes de chegar ao trabalho. Tal travessia, que ao todo o fazem perceber sete quadras e duas calçadas, levam-no ao que ele mesmo denomina de caminhada introdutória a realidade de mais um novo-velho dia.

Cada passo o faz ver e perceber a concretude de um conjunto de construções, pessoas e semi-sentimentos que se mostram novos aos seus olhos, mas que permanecem iguais dia-a-dia. Todo mundo, como sugeriu Fernando Pessoa, sofre da "angústia das pequenas coisas ridículas", e é neste estado que ele, Aroldo, continua sua caminhada percebendo o seu todo.

Durante os próximos minutos passarão por sua ainda não-adormecida mente: imagens, cheiros, sabores, olhares, sorrisos. Como se em cada manhã ocorresse em seu interior uma (re)visão de sua vida corriqueira. Lembrou-se de Ana, de eterna namorada para eterna amiga e fiel companheira. Sentiu o cheiro da lasanha de queijos que comeu na casa da Dona Janete na vez em que viajou para Serra Iluminada, ao sul de Minas Hortaliças. Esperou o carro passar, e viu num rosto desfocado seu irmão mais velho. Mas no meio, no começo, e ao fim não se sabe ainda, pensou em Luzia. Histórias mal resolvidas acabam sempre assolando as mentes inquietas de pensamentos inconstantes. Tanto tempo já se passou. Quatro meses, 122 dias. Tempo. Tanto tempo. Qual o valor do tempo e como saber se é muito ou pouco tempo? Quanto tempo ainda falta? O que ela acha? Ela sente o tempo? O tempo mudou? O tempo fez com que fosse tarde demais? O tempo mesmo, ou Aroldo, que preso aos moldes de seu caminhar deixou o tempo passar? Parou. Não por vontade própria voluntária, mas por um bater de asas sofrido de uma borboleta que em seus últimos movimentos lutava em vão. Ao observá-la percebeu que tinha algo a resolver, não mais, poderia ser tarde. Poderia acordar e não mais caminhar pelas sete quadras de duas calçadas, poderia como a cena na qual se deparava não mais poder ser um servo do tempo. Acelerou os passou. Para trás. Voltou, recuou e saiu voando.

Luzia? Por favor, senhora, a Luzia. Histórias mal resolvidas meu rapaz, eis que tarde sempre vens, mas nem sempre assim consegues chegar. Luzia de boa moça, não se sabe ao certo, mas que o tempo soube muito bem o seu tempo, a levou daqui de perto!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Trailler do filme Naqoyqatsi

A vida. Qatsi
Naqoyqatsi. Vida em guerra.
Cotidiano; guerra em meio a tecnologia exarcebada de uma vida marcada pela tentativa de uma superação hipócrita egoísta. Sem controle.
O filme trata deste tema colocando em questão cenas referentes à própria vida do homem, que ao ver seu presente nas cenas, acaba por enxergar a si próprio e se questionar sobre seu modo de vida; guerra?

Aquilo que compõe nosso universo nada mais é do que aquilo que está em nossa mente, pois não há como pensar ou viver aquilo que não está contido em nossos pensamentos, desta forma, nosso mundo é nosso interior. Nosso interior, infinito de constantes ideiais organizados pela taxonomia de instabilidade de escolhas livre por um mundo sem começo nem fim; conexão - emissão - reapropriação. A cibercultura não é uma simples característica dos modelos em rede tecnológicos, e sim, um momentos social na qual estamos inseridos, uma nova cultura de vanguarda, nosso próprio EU.

O filme Naqoyqatsi, 2002, faz parte da Trilogia Qatsi - Koyanisqatsi (vida em transformação) de 1982 e Powaqqatsi (vida em deseiquilíbrio) de 1988 - e refere-se a tecnocracia de nossos dias. Com direção de Godfrey Reggio e música minimalista de Phillip Glass, a trilogia é responsável pelo relato do caminhar de nosso planeta. Com linguagem própria, sem falas ou personegans, a trilogia imerge o espectador e sugere a reflexão.