sexta-feira, 13 de julho de 2007

Tempo. Espera. Movimente-se!


Foi pela manhã úmida e ainda gelada de uma madrugada chuvosa que seus primeiros passos percorreram a mesma rua por onde há dois anos e sete meses ele caminha antes de chegar ao trabalho. Tal travessia, que ao todo o fazem perceber sete quadras e duas calçadas, levam-no ao que ele mesmo denomina de caminhada introdutória a realidade de mais um novo-velho dia.

Cada passo o faz ver e perceber a concretude de um conjunto de construções, pessoas e semi-sentimentos que se mostram novos aos seus olhos, mas que permanecem iguais dia-a-dia. Todo mundo, como sugeriu Fernando Pessoa, sofre da "angústia das pequenas coisas ridículas", e é neste estado que ele, Aroldo, continua sua caminhada percebendo o seu todo.

Durante os próximos minutos passarão por sua ainda não-adormecida mente: imagens, cheiros, sabores, olhares, sorrisos. Como se em cada manhã ocorresse em seu interior uma (re)visão de sua vida corriqueira. Lembrou-se de Ana, de eterna namorada para eterna amiga e fiel companheira. Sentiu o cheiro da lasanha de queijos que comeu na casa da Dona Janete na vez em que viajou para Serra Iluminada, ao sul de Minas Hortaliças. Esperou o carro passar, e viu num rosto desfocado seu irmão mais velho. Mas no meio, no começo, e ao fim não se sabe ainda, pensou em Luzia. Histórias mal resolvidas acabam sempre assolando as mentes inquietas de pensamentos inconstantes. Tanto tempo já se passou. Quatro meses, 122 dias. Tempo. Tanto tempo. Qual o valor do tempo e como saber se é muito ou pouco tempo? Quanto tempo ainda falta? O que ela acha? Ela sente o tempo? O tempo mudou? O tempo fez com que fosse tarde demais? O tempo mesmo, ou Aroldo, que preso aos moldes de seu caminhar deixou o tempo passar? Parou. Não por vontade própria voluntária, mas por um bater de asas sofrido de uma borboleta que em seus últimos movimentos lutava em vão. Ao observá-la percebeu que tinha algo a resolver, não mais, poderia ser tarde. Poderia acordar e não mais caminhar pelas sete quadras de duas calçadas, poderia como a cena na qual se deparava não mais poder ser um servo do tempo. Acelerou os passou. Para trás. Voltou, recuou e saiu voando.

Luzia? Por favor, senhora, a Luzia. Histórias mal resolvidas meu rapaz, eis que tarde sempre vens, mas nem sempre assim consegues chegar. Luzia de boa moça, não se sabe ao certo, mas que o tempo soube muito bem o seu tempo, a levou daqui de perto!

Nenhum comentário: